Educao religiosa e a teologia da prosperidade

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    15-Jun-2015

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Eu nasci no dia em que o meio comeou a falar que prosperar era bom. Eu morri no exato momento em que comecei levar isso a srio. Eu ressuscitei na hora em que compreendi que eu s posso ser o que realmente sou, e nada mais.

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1. Educao Religiosa e a teologia da prosperidade MARCO BUENO 2. 2 Eu nasci no dia em que o meio comeou a falar que prosperar era bom. Eu morri no exato momento em que comecei levar isso a srio. Eu ressuscitei na hora em que compreendi que eu s posso ser o que realmente sou, e nada mais. A minha vida infantil estava indo muito bem at que meus pais pautado na sua cultura, que era baseado na cultura dos pais deles, acharam que eu deveria ter uma educao religiosa. Sei que os pensamento dos meus genitores eram os melhores possveis segundo a bblia: "Educa a criana no caminho em que deve andar; e at quando envelhecer no se desviar dele". Provrbios 22:6, ou Pitgoras: "Educai as crianas hoje, para no ter que punir os adultos de amanh". Repare que no estou falando que a atitude de meus pais foram erradas. A reflexo aqui vai muito alm de um pensamento redutvel e miservel qualquer. Estou falando de um conhecimento que foi plantado, quase, em uma vida inteira. Hoje, no auge dos meus quarenta anos, carrego comigo uma construo dita divina, superior, sobrenatural, indiscutvel, irrevogvel que no so minhas. Carrego conflitos interiores que no so meus. Tenho gostos, ideias, pensamentos e atitudes que nada tem a ver comigo. Onde estou, e que sou eu ento? Eu, durante a minha infncia, no tinha condies cognitivas para contestar as informaes que me passavam, e to pouco maturidade psicolgica para dizer o que era bom para mim. Virei fruto do senso comum, como os versculo acima deixaram claro. Fui educado de forma a no desviar do caminho, mesmo no tendo ideia de suas implicaes. Fui induzido, coagido e manipulado acreditar num repertorio dogmtico que quase acabou comigo. Foram-me transmitidos informaes de f, de poder, de divindade, de operaes, maravilhas, milagres, de prosperidade. Fui educado a acreditar que sem Deus e sem seu filho intercessor no sou nada; e sem ambos nada sou capaz de fazer. Fui superorientado a crer que s possvel eu alcanar bnos se eu estivesse preparado para isso. Fui influenciado a pensar que s posso fazer as coisas com a determinao de Deus, pois s ele onisciente, onipresente e onipotente. A minha f foi direcionada compreenso de que sem Deus sou fraco. 3. 3 Conforme fui absorvendo estas informaes catequticas de louvores, de orao, de mandamentos das leis divina e dos homens, de testemunho, de morte, de 1 e 2 ressurreio, de cu e inferno, de reino de Deus, de direitos e obrigaes com a doutrina de Cristo, fui compelido a arcar com compromissos e despesas que no so minhas. "Cada um tem que carregar a sua cruz", ou, "pegou na ala do caixo tem que ir at o fim", me exortavam. Neste processo de ser ensinado o caminho que eu devia andar, no me apercebi que estava sendo inserido em minhas razes um abidueiro. Cujo alimento no era compatvel com a minha realidade. Assim, vagarosamente, fui sendo privado de pensar com os meus sentidos. Por eu no ter outra base a no ser aquela que recebia, obedeci e segui sem pestanejar. Cresci. Fiquei jovem, casei, separei, no tive filhos; mas se tivesse tido eles seriam ensinados no caminho que eles deveriam andar, para quando crescessem no se desviassem dele. Assim mesmo. Sem consentimento, liberdade, pluralidade. Fui um bom seguidor e reprodutor de conceitos at a hora que deu. Mas chegou um momento em que vomitei todas as informaes ruminadas. No sei se foi excesso de culpa, desejo de liberdade ou vontade de viver. Algo me fez colocar este proselitismo para fora, como estou fazendo agora, novamente. Sem saber que eu sabia, achava que uma vez cooptado, cooptado para sempre. Pensava que existia vrios caminhos, mas que somente um me levaria ao cu. Portanto, no me via fora da igreja ou de uma religio, nunca. Mas a vida engraada e gosta de pregar peas. No pensava que um dia eu promoveria embates contra as coisas que defendi. Resolvi deixar de seguir Cristo, de t-lo em uma camiseta, chaveiro, bblia ou em uma igreja. Resolvi abandonar a fantasia para ter um relacionamento srio com a mensagem, sem me importar quem foi o seu mensageiro. Resolvi deixar de lado as tradies, e me afastar do evangelismo, catequese, doutrina, crena e quaisquer outras informaes engessadoras. Resolvi curtir a verdade libertadora que est me livrando de pesos e culpas, sem me tirar o brilho e a oportunidade de uma transformao para o bem. Transformao que nada tem a ver com religio, prosperidade, milagres ou espera de um dia melhor. Transformao que me d o direito de no fazer parte de rebanho nenhum, mas me far chegar no mesmo lugar sem pastoreador ou sacerdotes. 4. 4 Transformao espinhenta, que machuca, que fere, que tira do comodismo, que faz pensar e ter conscincia de minha vergonha. Transformao que mostra que eu no preciso de reforma ntima; preciso de juzo. Transformao que aponta que no h necessidade de eu ser salvo; preciso admitir o meu direito de ser sujeito. Transformao que desliga o homem da passividade, sentimentalismo piegas e submisso. Transformao que demonstra que a cultura cada um que faz. Transformao que traz uma clareza maior de que a religio a condutora de gado ao matadouro. Transformao que tira roupas esquisitas, adornos, fantasias, iluses, egocentrismo e mostra tudo o que no somos. Desta minha relao com o mundo religioso, ficou apenas a dor de ver indivduos massacrados diariamente por um religio que no explica a nossa relao com o mundo, e to pouco com qualquer coisa alm dele. Me chateia ver pessoas adultas sendo aproveitadas de sua ignorncia oriundas de uma infncia sem diversidade. Me di ver que uma suposta educao religiosa continua sendo o maior objeto alienador e atrofiador de mentes do e no homem. O que vejo continuadamente um evangelismo que no fazem os seus adeptos adquirirem conhecimento de mundo, dando-lhe a oportunidade de avanar; mas muito pelo contrrio,os mantm fiis. O mundo no precisa de fiis; precisa de cidados que saibam viver nele, por ele e atravs dele. A religio, segundo estudiosos, veio demonstrar o dever e a necessidade do homem em religar-se a Deus. A minha histria deixa isto evidente. A religio veio explicar como devemos lidar com os sofrimentos imerecidos, a misria, a morte. O homem colocou a religio numa posio intermediria entre ele e sabe l o que; que no Deus. A religio veio mostrar que podia libertar o indivduo do pecado, do jugo e do sofrimento com um passaporte salvacional que no d direito a melhoras nem aqui e nem no futuro messiano, que onde ela se projeta. No meio deste processo surgiu usurpadores e exploradores capitais com a sua teologia de prosperidade, que, com mensagens redentoras aos desgraados e menos favorecidos, prometem-lhe alivio as suas dores e tormentos eternos. Contraditrio? Muito. Verdadeiro? Depende de cada um. A liberdade de poder permitir-se transformar traz outras possibilidades alm daquelas que estamos costumados a viver. 5. 5 Frente as mudanas constantes, timidamente, a religio tenta se acomodar a um novo palavreado. Eu disse, tenta. As igrejas se esforam para atender a mudana sociolgica do homem, importando teologias, literaturas, adaptando novos ritmos musicais, novos rituais. Tudo isso porque no conseguem evitar as mudanas sociais que esto acontecendo. Munidos da ideia de que o plano de Deus para o homem faz-lo feliz, abenoado, saudvel e prspero em tudo, surgiu a teologia da prosperidade como meio e/ou extenso do posto acima. A tempos, o que vemos na maioria das igrejas a ideologia funkeira: prazer, prazer e prazer. Tudo isso colocado de uma forma muito inspirativa e que atraem os mais incautos. A teologia da prosperidade vende a ideia de que, se, a pessoa for inteligente, esperta e souber aproveitar as oportunidades, aliadas s bnos divina, faro dela uma pessoa tremendamente prspera. Este assunto sobre a teologia da prosperidade extenso e no d para ser abordado de forma superficial, devido a sua complexidade histrica e social. Por isso, no final deste documento apontarei links que abordam o assunto incitado. Retomo a reflexo de que fui educado religiosamente a buscar primeiro o reino dos cus , sabendo que as demais coisas seriam acrescentadas. Este pensamento embora carregado de dogmas, e no tenha sido ele o originador de minhas amarguras, difere da teologia da prosperidade que introduz a relao de troca com o troco. A questo de educao religiosa que aqui posto voltada exclusivamente a crtica de que a formao religiosa enrijece o saber e entorpece a leitura de mundo da criana,aviltando a sua brilhante inteligncia, transformando-a em pessoa intelectualmente atrofiada na vida adulta . Sendo assim, hoje, sou contra quaisquer princpios e convices religiosas, porque imprimem submisso, padronizao e homogeneizao dos sujeitos, tornando-os escravos de si, do outro e do mundo que o cerca. Com isso, no vejo outra forma de alertar os leitores incautos sobre as implicaes desastrosas que a educao religiosa causam na vida das pessoas, aqui e alm. E a nica forma de primar a questo no enfiando contedo suprfluo e desnecessrio na cabea de uma criana, como mostra e encerra a citao abaixo: 6. 6 Tudo se submeter ao exame da criana e nada se lhe enfiar na cabea por simples autoridade e crdito. Que nenhum princpio, de Aristteles, dos esticos ou dos epicuristas, seja seu princpio. Apresentem-se-lhe todos em sua diversidade e que ele escolha se puder. E se no o puder fique na dvida, pois s os loucos tm certeza absoluta em sua opinio (...). Quem segue outrem no segue coisa nenhuma; nem nada encontra, mesmo porque no procura. (MONTAIGNE: 1987, 4 ed. P. 77-78). Apontamentos Os neopentecostais e a teologia da prosperidade http://lw1346176676503d038.hospedagemdesites.ws/v1/files/uploads/contents/78/200806 26_os_neopentecostais.pdf Educao religiosa e pedagogia:contradies e obstculos constituio de sujeitos http://gwnit.microlink.com.br/~braga/