A Teologia da Prosperidade e a Lógica de Mercado

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    17-Nov-2014

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  • 1. 1 A teologia da prosperidade e a lógica de marcado Por Marcos Aurélio Dos Santos Têm-se observado no contexto da prática de espiritualidade dos adeptos da teologia da prosperidade, formas bastante semelhante nas quais são encontradas em grandes empresas do cenário econômico brasileiro. Estratégias de oferta de novos produtos, líderes arrojados, Incentivo ao consumo, métodos para atrair a clientela e dentre outras formas mercadológicas, são praticadas neste seguimento religioso. A teologia da prosperidade teve seu inicio em 1960 nos EUA, tendo como seu principal divulgador Kennetth Hagin, chagando ao Brasil na década de 70, sendo seu principal veículo de divulgação algumas igrejas pentecostais e movimentos interdenominacionais. Hoje tem como principais propagadores R.R. Soares, Silas Malafaia, Edir Macedo e o também conhecido “apóstolo” Valdomiro. Estes são do movimento chamado neopentecostalismo (com exceção do Silas que é da AD) que se destacam na mídia por meio da televisão, internet, rádio e outros meios de comunicação. Neste cenário, percebe-se a estreita relação da teologia da prosperidade com as práticas da economia capitalista e neoliberalismo, ambos vivenciados na economia brasileira. Vejamos o que diz o Dr. Claudio de Oliveira Ribeiro em seu artigo, O que um cristão precisa saber sobre a teologia da prosperidade: A Teologia da Prosperidade está, portanto, intimamente relacionada com o sistema econômico neoliberal. Às práticas religiosas de parcela considerável da população são acopladas (ou incentivadas) práticas socioeconômicas, em consonância com a lógica do neoliberalismo. Tal aglutinação possui embasamento religioso que, indiretamente, contribui para a associação entre consumo e salvação, e entre capitalismo e Reino de Deus. (Fonte: http://www.metodista.br) O Evangelho da prosperidade oferece o Reino de Deus de forma camuflada onde o alvo principal é incentivar seus adeptos numa busca de melhoria de vida no aspecto capitalista onde segundo eles, o indivíduo pela fé, passa a ter uma melhor condição financeira. Os valores do Reino ensinados por Jesus em seu sermão da montanha (Mt.cap.5-7), ficam em segundo plano, enfatizando- se portanto o Reino do aqui e agora onde a perspectiva é o acúmulo de bens materiais e prosperidade financeira. O incentivo dos líderes em levar seus adeptos a valorizar bens materiais resulta em uma busca intensa de consumo. O ajuntamento de pessoas não tem finalidades de adoração a Deus mais um momento de procurar nas
  • 2. 2 “prateleiras da religião”, algo que possa satisfazer seus desejos de consumo. Não há espaço para momentos devocionais, confissões, adoração, confraternização, comunhão e outras práticas vividas pelos Cristãos da Bíblia e pelas igrejas Cristãs Reformadas. Nessa relação, capitalismo e Reino de Deus, surgem algumas formas bem semelhantes à lógica de mercado, e que são encontradas no cenário econômico brasileiro. Vejamos: CONSUMISMO. Na busca do sagrado, os adeptos da prosperidade são motivados por seus lideres a ter uma relação com Deus para satisfazer seus desejos de consumo. As bençãos concedidas pela graça de Deus, segundo a sua vontade, são encaradas como produtos de consumo. Como acontece na relação cliente e comerciante, é preciso pagar para obter o produto. No caso, o dízimo e a oferta são os meios de comprar a benção, se por ventura o irmão não tiver recursos financeiros, ou não for fiel em suas contribuições, não pode levar o produto. Os produtos chamados numa linguagem do comercio de “produtos de ponta de gôndola” sempre estão relacionados a bens materiais e cura divina, o que é bastante atrativo para as massas, num cenário onde a igreja brasileira está profundamente influenciada pelo capitalismo moderno e práticas místicas de religiões afros e indígenas. Esta perigosa relação onde Deus é visto como fonte de consumo tem levado multidões a uma cegueira espiritual quanto ao verdadeiro sentido do que é Reino de Deus. Valores como perdão, misericórdia, mansidão e outras virtudes cristãs, são substituídos pelo desejo de satisfazer o que é chamado pelos consumistas impulsivos de sonho de consumo. INOVAÇÕES DOS PRODUTOS. Outra semelhança do movimento da teologia da prosperidade com a metodologia de mercado é a inovação dos produtos oferecidos a clientela. O alvo é o entretenimento, ou seja, sempre oferecer ao público novas formas de liturgia, oferta de novos produtos que por sua vez tem como objetivo, satisfazer as necessidades dos clientes. Para indivíduos que tiveram problemas e frustrações na vida conjugal, é oferecido um ritual em um culto especifico para casais onde o pretendente pode segundo eles, libertar-se do demônio que está impedindo que a benção seja recebida, prática que sempre passa por inovações. Sempre se cria novos produtos para entretenimento. Como na indústria que inova seus produtos com novas embalagens, sabores e complementos como
  • 3. 3 brindes, por exemplo, a teologia da prosperidade oferece também inovações em seus produtos. CONCORRÊNCIA DE MERCADO. Muitas são as estratégias das grandes empresas para atrair clientes da concorrência. Investem em propaganda, oferecem promoções, conforto, facilidade para compra do produto disponibilizando linha de crédito e por ai vai. O resultado é um circulo de clientes a procura da melhor oferta. Neste cenário, os clientes mudam de uma loja para outra. O mesmo acontece nas igrejas das multidões. A concorrência é acirrada entre os mais destacados, investem alto para atrair membros de outras igrejas, principalmente em propaganda, oferecem cultos em megatemplos para recebem os clientes, e a garantia da benção recebida. Usam a mesma estratégia dos Hipermercados quando constroem ou alugam templos vizinhos ou de frente da denominação concorrentes caracterizando assim, a prática do proselitismo. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS DE NESCESSIDADES. Livros, Vídeos, Camisetas, Bíblias, CDs, Cura do Corpo, Emprego, Felicidade no casamento pode não parecer, mais tudo está no mesmo pacote, apenas em prateleiras diferentes, tudo é produto de consumo aonde as pessoas vão colocando no carrinho aquilo que lhe satisfaz ou por necessidade. Oferecem de maneira estratégica, produtos que atende aos anseios das multidões que superlotam suas igrejas em busca do produto abençoado. A teologia da prosperidade tem sucesso garantido em seus empreendimentos simplesmente porque oferecerem para o público de uma maneira geral, produtos que vai de encontro com seus própios desejos, afinal, em um pais capitalista, quem não quer ser curado de uma enfermidade no corpo, e ter uma vida saudável, ou prosperar financeiramente e outras vantagens materiais? A teologia da prosperidade oferece a seus adeptos uma propaganda enganosa. A falsa sensação de uma felicidade fundamentada em bens materiais contradiz o ensinamento de Jesus a cerca das bem aventuranças (Ver. Mt. Cap 5), esta “fábula evangélica” tem levado muitos evangélicos a perder de vista os verdadeiros valores do Reino. Como uma grande nuvem negra que esconde a beleza do primeiro céu, a teologia da prosperidade de maneira sorrateira tenta esconder a Bela e sublime mensagem do evangelho de Jesus Cristo. Que o Senhor nos Ajude.
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