"Cê Viu?" - Agosto 2014

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    02-Apr-2016

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  • C Viu? Edio de agosto de 2014

    Equipe:

    Antnio Teixeira

    Brbara Paes

    Gabriela Marques

    Igor Rossi

    Igor Tsuyoshi

    Jlia Azeredo

    Mrcio Rolim

    Mrcio Sartorelli

    Taminy Youssef

    Agradecimentos

    Daniel Martins

    Luana Conceio de Oliveira

    Daniel Torres de Carvalho Puliti

    Prof. Dr. Benedito Braga

    Prof. Dr. Alex Abiko

  • Editorial A cada edio do C Viu? procuramos aumentar a qualidade dos textos, das capas, da

    edio e a pluralidade dos nossos temas; tudo isso ao mesmo tempo em que combatemos a

    declividade natural de entusiasmo em relao ao incio do trabalho.

    Essa edio no foi diferente das demais, nas primeiras reunies tivemos ideias para

    preencher 40 pginas, encerramos com 20. No tivemos tempo nem pessoal suficiente para

    realizar todos nossos anseios editoriais, mas chegamos aqui com a que , at o momento,

    considerada por ns a melhor edio do C Viu? do ano.

    Apresentamos nas pginas seguintes um panorama completo do CEC, uma anlise do

    centrinho no primeiro semestre e os projetos para o segundo. Damos destaque para a Semana

    Tcnica de Engenharia Civil e Ambiental, a Setec, a ser realizada nas prximas semanas.

    Alm de notcias relacionadas ao C.A. procuramos apresentar textos que explorem questes

    de destaque nacional do ponto de vista da Engenharia Civil e Ambiental, nessa edio temos dois

    textos nesse mote: a entrevista sobre o Sistema Cantareira com o presidente do Conselho Mundial

    da gua, o professor Benedito Braga; e a anlise dos estdios construdos para a findada Copa do

    Mundo.

    Com a inteno de apoiar os alunos da G.A. Civil nas suas decises acadmicas cotidianas

    apresentamos 3 textos: um depoimento inspirador sobre um duplo diploma na Frana, um relato

    sobre o diferencial oferecido pelo programa Poli Fau e a viso de um professor sobre a atuao

    profissional de um engenheiro civil.

    O ltimo texto mencionado faz parte de uma proposta inicial do jornal de apresentar textos

    que apoiem a escolha de opo de curso. Nossa ideia era apresentar um para cada rea, um sobre

    a Ambiental e outro sobre a Civil; no entanto todas as tentativas de entrar em contato com

    professores da Engenharia Ambiental, at o momento, foram frustradas, impossibilitando a

    publicao. Na prxima edio certamente apresentaremos o texto sobre a Ambiental ausente

    nessa edio.

    Para encerrar temos a parte artstica do jornal, contamos nesse nmero com um poema e

    com uma tirinha!

    Esperamos que vocs gostem!

    Caso tenha alguma sugesto, crtica ou se quiser participar de nossa equipe mande um e-

    mail para ceviu.cec.poli@gmail.com ou adicione o nosso novssimo perfil no facebook (C-Viu Poli

    Usp) e nos envie um inbox.

    A Equipe

    3

  • Panorama CEC 1 Semestre - 2014

    Fala pessoal, por meio deste texto vou

    falar um pouco das atividades que o CEC participou e realizou na segunda metade desse primeiro semestre. Primeiramente gostaria de pedir desculpas todos os apreciadores da Festa S Nis Constri, que infelizmente no aconteceu esse ano. As causas para isso foram diversas, por exemplo problemas na estrutura do prdio da FAU e o posicionamento da Prefeitura do Campus, que est extremamente receosa com festas abertas, devido aos incidentes com segurana que vem cada vez mais assombrando a Cidade Universitria.

    Ainda no assunto de festas, tivemos uma nova em parceria com a Nutrio - USP chamada Wonderland. Foi um evento com um pblico mais reduzido, uma festa fantasia e com open bar que ocorreu no Hotel Cambridge. Pelo que ouvimos dos presentes, foi um sucesso! Tinha um preo bem acessvel, principalmente levando em conta a qualidade das bebidas que foram oferecidas. Esperamos que no prximo ano possa haver uma nova Wonderland, talvez com um pblico maior!

    Para as P2 e P3 j conseguimos expandir o projeto Salvao com aulas de R2. As aulas foram ministradas tambm pelo aluno Joo Guilherme Caldas Steinstraesser. Aproveito essa deixa para agradecer ao Joozinho seu esforo, comprometimento e disposio em ajudar os outros alunos. E tambm, em nome do CEC, desejo boa viagem e sucesso em seu intercmbio! Agora estamos procurando outros alunos que desejem dar as aulas de Salvao, caso tenha interesse procure pela Julia Azeredo no CEC ou no facebook.

    Nesse semestre, organizamos tambm um questionrio que foi divulgado nos grupos no facebook para sabermos a opinio dos alunos a respeito das salas de estudos. Gostaria de pedir mais um pouco de pacincia, pois junto CAEC estamos tentando tomar as devidas providncias para deixar o local mais adequado aos estudantes. Pretendemos, ainda esse ano, colocar mais tomadas, mesas e cadeiras e, tambm, corrigir o problema de m iluminao. A questo da internet um pouco mais complicada, ainda estamos tentando

    viabilizar algo, mas isso no depende mais da CAEC.

    No dia 6/6 rolou a maior festa do semestre, a S o Guim Destri. Estvamos planejando esse evento desde o comeo do ano para que ele pudesse ser sensacional! No decorrer da festa tivemos alguns problemas pontuais e temporrios na entrada e no bar, mas de uma forma geral a festa foi um grande sucesso. Recebemos muitos elogios de pessoas que estavam presentes, elas falaram que a festa foi bem completa, com open bar, distribuio de Trident e ch Lipton, show de funk com MC Guim e um eletrnico frito com Viktor Mora. Nossa principal preocupao durante a festa foi a segurana dos convidados dentro e fora do Veldromo, para isso contratamos um efetivo maior de seguranas. Gostaria de agradecer todos que foram e queles que ajudaram na organizao desse evento! (EXPLOOODIU!!)

    Agora vou falar de uma forma geral dos principais acontecimentos do semestre: a greve e os incidentes com segurana. No calor da greve, o Diretrio se reuniu para discutir o que poderia ser feito em relao esse assunto, ento promovemos o plebiscito e algumas assembleias. O CEC chegou a realizar uma roda de conversa com os alunos da Civil e Ambiental para ver quais eram as suas principais demandas e tambm para debatermos sobre os eixos da greve. Em geral a roda fluiu tranquilamente e com discusses bastante proveitosas, o CEC ainda est indo atrs de algumas demandas que foram solicitadas na conversa, aguardem mais um pouco por favor.

    Em relao segurana, tivemos muitos problemas de assalto, sequestro relmpago, furto e at de arrasto dentro da Cidade Universitria. O Diretrio est tentando, junto Reitoria, fazer algo para melhorar a segurana dos alunos, mas ainda no encontramos uma soluo que parea ser a mais correta.

    Igor Tsuyoshi Kaga

    Presidente CEC 2014

    4

  • O CEC no segundo semestre Depois de um primeiro semestre com

    MC Guim, visitas tcnicas, aulas de salvao,

    atuao junto aos RDs e muito mais, s

    podemos esperar fazer muito mais no segundo

    semestre.

    No primeiro semestre, tivemos muitos

    acontecimentos poltico-acadmicos, desde a

    eleio do DCE greve que ainda ocorre. O

    CEC foi um dos centros-acadmicos da Poli

    que mais esteve presente nas assembleias

    estudantis, CCAs (Conselho de Centros

    Acadmicos) e outras reunies de CAs de toda

    a USP. Vamos manter essa firme atuao,

    trazendo sempre os problemas aos alunos da

    G.A. Civil e buscando sempre o melhor para

    nossos alunos.

    Em conjunto com os RDs dos quatro

    departamentos (PCC, PTR, PEF e PHA), das

    CoCs Ambiental e Civil, da CAEC (Comisso

    Administrativa), criamos um rgo extra-oficial

    que visa reunir todos os representantes dos

    alunos para debater o que ocorre em nosso

    curso e propor sempre melhorias ao aluno da

    G.A. Civil. As primeiras reunies foram um

    sucesso, de onde saram questes pontuais

    como o Questionrio das Optativas Livres e

    manual de matrcula para a EC3.

    Programamos ainda uma ateno

    especial pra voc, bixo perdido. Ainda no sabe

    se vai escolher civil ou ambiental? O CEC te

    ajuda! Ao longo de todo o semestre teremos

    conversas e palestras com professores, alunos

    e ex-alunos formados das duas reas da G.A.

    Civil, trazendo seus pontos de vista sobre a

    grade curricular e o mercado de trabalho.

    Mesmo que sua deciso j esteja tomada,

    participe das conversas. sempre bom

    entender como ser a sua vida e dos seus

    colegas de G.A. a partir do ano que vem.

    As aulas de salvao, projeto iniciado

    em 2013, sofreram uma baixa. Joozinho,

    nosso grande colaborador, foi fazer seu

    intercmbio na Frana, aps ter ajudado um

    nmero considervel de alunos ao longo desse

    1 ano e meio. Para que as aulas continuem a

    acontecer, precisamos de voc! Sim, voc

    mesmo que manja tudo de R1, R3, Trfego e se

    acha capaz de ensinar quem precisa.

    No comeo de setembro, teremos a mais

    do que tradicional viagem Itaipu! A segunda

    viagem do CEC no ano te levar mais famosa

    usina hidreltrica do pas. E j que estamos por

    l, no custa nada dar um pulinho no

    Paraguai... A viagem ser logo depois das P1,

    ento no h desculpa para no ir! Fique atento

    ao Facebook para no perder as inscries.

    Estruturalmente, o CEC j adquiriu

    novos sofs, que chegaro em breve para

    deixar nossos alunos cada vez mais

    confortveis. A nossa mesa de comidas est

    com novidades e buscaremos tambm deix-la

    sempre cheia. Pedimos a todos que, para evitar

    o gasto excessivo de copos plsticos que vinha

    acontecendo, utilizem canecas para tomar seu

    caf ou gua. Uma medida simples que evita o

    acmulo de lixo e preserva o meio ambiente. As

    tomadas passaram por uma reforma e temos os

    dois micro-ondas funcionando, visando diminuir

    a fila das marmitas na hora do almoo. Temos

    novidades tambm na sala do vdeo game,

    passe l pra conferir (e perder uma partida).

    E voc acha que acabou? Por ltimo mas

    no menos importante, nossas festas! Na

    primeira-sexta feira do semestre, dia 8/8, nos

    unimos com o CAEP, nossos maiores inimigos

    (s na poca de Integra), pra trazer uma grande

    cervejada pra Poli, a Just Beer. No dia 22/8,

    teremos a Festa Junina da Poli, organizada por

    todo o Diretrio. Com barracas de brincadeiras

    Vigem para Itaipu 2013

    5

  • de todos os CAs, venha prestigiar a maior festa

    junina da USP! Para fechar o ano em grande

    estilo, aps as P3, CEC e Grmio organizam

    mais uma vez a Festa de Fim de Ano da Poli.

    Estamos preparando uma festa enorme para

    fechar o ano com chave de ouro.

    E em Outubro, nossa grande festa do

    segundo semestre, o OKTOBERCEC! Em sua

    XII edio, a maior festa alem universitria do

    mundo vir mais uma vez para comemorar o

    aniversrio de nosso centro acadmico. No ano

    que o CEC foi campeo do Integrapoli e a

    Alemanha campe da Copa do Mundo, s

    poderemos ter um OktoberCEC inigualvel.

    Depois de tanta coisa, acho que s nos

    resta trabalhar muito para comprimirmos o que

    prometemos e melhorar cada vez mais a

    condio de nossos alunos. Quer ajudar?

    Nossas reunies ordinrias acontecero s

    segundas-feiras, s 11h10, na sala de reunies

    do CEC. No tenha medo, estamos abertos a

    opinies de todos. Se ainda tiver vergonha mas

    quiser participar, mande um e-mail com

    sugestes para cecpoliusp@gmail.com e siga

    nossas pginas no facebook.

    Valeu pessoal, e nos vemos no CEC!

    Igor Rossi

    Vice-Presidente CEC 2014

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    IV SeTEC - Gargalos de Infraestrutura

    Para os desavisados: neste ms de agosto acontecer a IV SeTEC (Semana Temtica de Engenharia Civil e Ambiental), um evento de carter acadmico organizado por alunos da Poli-USP que visa aproximar os estudantes dos professores e profissionais das reas de atuao das engenharias civil e ambiental, fora do ambiente de sala de aula. Ao frequenta-la, o aluno obtm melhor noo da profisso e do mercado de trabalho atravs do contato direto com temas relevantes e com empresas do ramo.

    Para o ano de 2014, o tema escolhido para a SeTEC foi Gargalos de Infraestrutura. O tema est em pauta no atual cenrio socioeconmico do Brasil e gerador de dvidas, debates e opinies no setor da engenharia brasileira. A recente crise mundial deu sobrevida aos precrios sistemas de infraestrutura encontrados no pas, mas possvel notar que a economia j est voltando aos patamares anteriores e o crescimento do Brasil est maior que o crescimento dos investimentos na rea.

    Sendo assim, nossa inteno abranger os problemas encontrados no pas nas reas de abastecimento de gua, saneamento, logstica, transportes, mobilidade urbana, gerao e distribuio de energia de forma dinmica. Pretendemos, a partir de palestras, mesas redondas, resoluo de case e visitas tcnicas,

    fomentar o interesse pelo tema e construir um evento de desaque e impacto, que interfira positivamente na formao dos alunos das engenharias civil e ambiental e na Escola Politcnica como um todo.

    A IV SeTEC contar com diversos profissionais de destaque no ramo da infraestrutura, como o ex-presidente do BNDES, ex-ministro das Comunicaes e ex-diretor do Banco Central do Brasil, Luiz Carlos Mendona de Barros e o jornalista econmico Carlos Alberto Sardenberg. O evento tem como patrocinadora diamante a construtora Camargo Corra, e recebeu apoio de diversas entidades parceiras. Para mais detalhes, no deixe de curtir nossa pgina no Facebook!

    As inscries para o evento acontecero a partir do dia 06/08 pelo site. Todos as atividades contaro com coffee-break e os participantes inscritos tero direito a um Kit Participante e um Certificado de Participao. Confira nossa programao completa, cadastre-se no site, inscreva-se nas atividades e participe!

    Pgina do Facebook: facebook.com/setecpoli Site: www.setecpoli.com.br

    Jlia Azeredo

    Diretora Acadmica CEC 2014

    6

  • Opo de Curso: Engenharia Civil

    A atuao profissional do engenheiro civil

    A engenharia civil das modalidades de

    engenharia, uma das mais amplas e

    abrangentes envolvendo um largo espectro de

    especialidades e de atividades.

    Uma maneira inicial e simples dividir

    estas especialidades em 4, coincidindo com os

    4 Departamentos aqui da Civil de nossa Escola

    Politcnica da USP: a) Transportes, b)

    Hidrulica e Ambiental, c) Estruturas e

    Geotcnica, d) Construo Civil. Percorrendo

    os sites de cada um destes Departamentos

    possvel conhecer os diversos temas

    concernentes a cada uma dessas

    especialidades, atravs das disciplinas

    oferecidas e das pesquisas desenvolvidas.

    Uma das caractersticas comuns a todas

    estas especialidades que o engenheiro civil

    atua quase sempre de maneira local, com

    insumos locais quer sejam eles fsicos como os

    materiais ou a mo-de-obra. Para esta atuao

    este engenheiro dever conhecer

    profundamente este local no qual ir

    desenvolver as suas atividades pois por

    exemplo, as estradas, edifcios,

    empreendimentos imobilirios, barragens e

    redes de abastecimento de gua e de

    drenagem, cidades, esto todos vinculados ao

    territrio e em consequncia com os seus

    aspectos ambientais.

    Uma outra caracterstica a abrangncia

    da engenharia civil, envolvendo todas as etapas

    dos empreendimentos, ou seja, desde o

    planejamento at a sua operao e

    manuteno, passando pelo projeto e a obra.

    O engenheiro civil poder atuar em

    apenas uma dessas etapas ou em diversas

    delas, mas o seu sucesso vir da sua

    compreenso sistmica do conjunto de aes

    que um empreendimento dever ter ao longo de

    sua vida til.

    O seu sucesso tambm vir da sua

    capacidade de trabalhar em grupo pois raras

    vezes a sua atuao profissional ser isolada e

    individual. Este trabalhar em grupo significa

    entender os aspectos colaborativos e de

    liderana voltados aos resultados a serem

    alcanados.

    Finalmente cabe mencionar dois

    importantes aspectos da engenharia civil:

    - apesar de tradicionalmente ser reconhecida

    com uma das modalidades com menor

    contedo tecnolgico, o desenvolvimento

    observado nos ltimos anos tem sido inegvel

    graas aplicao da informtica como

    softwares de projeto, controle e automao e

    particularmente os sistemas BIM, Building

    Information Modelling.

    - por ela envolver um grande conjunto de

    variveis tcnicas, materiais, regramentos,

    pessoas, o engenheiro civil desenvolve

    competncias de gestor e de administrador que

    transcendem o exerccio tcnico especfico do

    engenheiro mas que os civis tm facilidade de

    operar.

    Prof. Dr. Alex Abiko

    Departamento de Construo Civil

    (PCC)

    7

  • Relato de um ex POLI-FAU

    H 5 anos tomava uma deciso

    importante em minha vida, ir para FAU e

    preencher a lacuna que a POLI deixava em

    minha formao. Para tomar essa deciso

    foram anos pensando sobre o programa,

    conversa com alunos da FAU, da POLI, do

    programa de dupla formao, professores de

    ambas as instituies e Ex-alunos formados e

    no formados.

    Por fim no final de dois anos

    amadurecendo a ideia (2009) decidi ir para a

    FAU e estender a minha graduao em dois

    anos, mas havia um porm: j tinha transferido

    de curso para engenharia civil e deveria fazer

    tudo em OITO ANOS! Nossa 8 anos estudando,

    muitas pessoas fora do meu convvio

    acadmico tiravam onda de mim, diziam que

    eu nunca saia da faculdade... mas qualquer

    politcnico sabe que isso pode muito bem

    acontecer. Alm disso, minha famlia me

    pressionava para sair e ser completamente

    independente financeiramente.

    Acredito que tomei a deciso mais

    assertiva que poderia ter tomado na poca, isso

    porque consegui antecipar um ano da

    graduao. Foi duro, tive que sacrificar muitas

    sadas, treinos... mas consegui. No primeiro

    ano de FAU passei em 80 crditos e no

    segundo, em 100. Mas isso uma exceo, no

    regra e nem deveria ser, pois a ida FAU e a

    formao na mesma no se restringe apenas a

    sala de aula, mas diz respeito tambm ao

    convvio entre alunos e professores que muito

    mais intenso que na POLI (no difcil ir

    almoar com um professor ou receber um

    convite de um deles para tomar umas, pena no

    beber para aceitar o convite). Mas a parte mais

    importante do programa o conhecimento

    adquirido, hoje consigo conversar de igual para

    igual com arquitetos e engenheiros nas

    decises de projetos e sou respeitado por

    ambos.

    As oportunidades profissionais, no

    como estagirio, foram ampliadas pelo fato de

    ter cursado o programa. Hoje trabalho em uma

    incorporadora tradicional, uma empresa

    familiar, onde o fundador, j falecido, era

    engenheiro arquiteto formado pela Poli. Tal

    curso parou de existir quando a FAU foi criada.

    Quando o meu curriculum chegou empresa o

    presidente (ex-politcnico tambm e filho do

    fundador), viu, gostou, me ligou e agendou uma

    entrevista. Na entrevista, ele gostou do meu

    perfil, por ser politcnico, mas tambm por ter

    estudado na FAU. Essa formao unia os

    conhecimentos que ele tinha com os

    conhecimentos do pai dele. Hoje no escritrio

    aprovo todos os projetos, seja de arquitetura,

    interiores, estrutura, hidrulica e eltrica; alm

    disso, algumas vezes me pedem para fazer

    projetos dessas reas. Pude assumir essa

    responsabilidade graas a facilidade que tenho

    com projetos, adquirida durante esses 7 anos

    de estudo.

    Mas nem tudo so rosas: a dupla

    formao trouxe a tona o grande conflito que

    existe entre engenheiros e arquitetos para

    dentro de mim. Muitas solues tcnicas e

    financeiramente viaveis estragam a

    arquitetura. No sei se esse conflito tem

    soluo, acho que apenas com o

    amadurecimento e experincia aprenderei

    melhor a lidar com essa situao vivida sempre

    na histria entre Engenharia e Arquitetura.

    Porm, acredito que uma rivalidade histrica

    no tem uma soluo to fcil.

    Atualmente venho elaborando projetos e

    os executando por conta prpria. Tambm sou

    muito consultado, devido, entre outras coisas, a

    minha formao diferenciada no mercado.

    Daniel Torres de Carvalho Puliti

    8

  • Entrevista - Benedito Braga Sistema Cantareira

    A questo do abastecimento de gua no Estado de So Paulo, e principalmente na cidade de So Paulo, tm sido alvo de preocupaes e de polmicas esse ano. Desde de junho o volume ativo do Sistema Cantareira est esgotado e o volume inativo est sendo utilizado. Nas ltimas semanas, sem melhoras nas condies hdricas, o racionamento est sendo considerado pelas autoridades e organizaes responsveis. Diante da importncia do assunto o C Viu? realizou uma entrevista com o professor doutor do PHA e presidente do Conselho Mundial de gua, Benedito Pinto Ferreira Braga Junior. O professor referncia mundial no assunto e compartilhou conosco suas opinies, explicou os aspectos tcnicos da situao e exps as perspectivas para o futuro.

    *Qual a importncia do Sistema Cantareira no abastecimento do estado de So Paulo?

    O Sistema Cantareira realiza o abastecimento da regio metropolitana de So Paulo, ele foi desenvolvido na dcada de 70, quando essa regio contava com uma populao de cerca de 9 milhes de habitantes. Trata-se de um sistema muito importante, pois hoje o Cantareira responsvel por metade do atendimento da demanda de gua da regio metropolitana.

    *Qual a atual situao desse Sistema? E quais so as perspectivas para os prximos meses?

    A situao do Sistema Cantareira crtica, como tem sido amplamente divulgado pela mdia. Hoje (5 de agosto de 2014) ele est com aproximadamente 14,7% da sua capacidade total, considerando o regime morto, inativo.

    Os reservatrios so projetados levando-se em conta sua vida til. Como as vazes afluentes a eles contm sedimentos em suspenso que se depositam devido s velocidades mais baixas, necessrio prever um volume de sedimentao ou tambm

    chamado de volume morto ou inativo. Esse volume assim chamado porque no utilizado durante a vida til do reservatrio. Como chegamos a um situao climtica muito crtica, tivemos que recorrer ao uso desse volume inativo, que normalmente no se usa. Contando toda a capacidade do volume ativo mais o inativo ns estamos com 14,7% do volume total, uma situao bastante crtica.

    Nos prximos meses, caso a populao no faa economia de gua, poderemos ter problemas.

    *As baixas reservas so fruto da m administrao, do mal uso dos recursos pela populao ou so culpa das condies climticas?

    uma composio das 3 coisas. Esse

    ano tivemos uma situao climtica bastante

    complicada. Em todos os registros histricos,

    que datam do incio do sculo passado, no se

    observou-se nenhuma situao climtica to

    desfavorvel como a do ltimo vero.

    Normalmente chove bastante e o reservatrio

    se recupera, mas dessa vez no choveu.

    9

  • Portanto, a situao climtica foi fundamental

    para essa crise.

    Em relao ao padro de consumo da

    populao observamos que ela no est

    acostumada a economizar ou usar a gua

    eficientemente. A populao da regio

    metropolitana nunca foi exposta a uma situao

    to crtica como essa, ento essa populao

    tem costumes de uso da gua em abundncia,

    no est acostumada a situaes de seca.

    Portanto juntou-se a questo climtica com a

    utilizao da gua de maneira no muito

    eficiente, resultando na complicao atual.

    *O senhor acredita que alguma medida poderia ter sido adotada que minimizasse a situao atual?

    A situao drstica atual seria muito difcil de prever. O que poderia ter sido feito com maior intensidade seria uma conscientizao da populao. Acredito que a mdia deveria ter desempenhado um papel mais importante no sentido de passar para a populao a criticidade da situao, incentivando essa populao a usar mais eficiente a gua. A mdia poderia ter tido um papel mais importante no sentido de noticiar a criticidade do evento.

    *Ainda existe o risco de racionamento para o ano de 2014? Que medidas esto sendo tomadas pra controlar a situao?

    Primeiro, bom que se entenda o que significa a palavra racionamento. O que a mdia entende como racionamento o que ns tcnicos chamamos de rodzio. Significa cortar a gua de um determinado setor da cidade, assim esse setor ficaria sem gua na torneira por um ou dois dias.

    O rodzio, ou racionamento, no uma medida recomendada. Ela no foi tomada, e acho que acertadamente, e espero que ela no seja tomada no futuro. Isso porque quando o rodzio implantado, h um aumento no risco de infiltrao de gua subterrnea nos dutos; e no conhecemos muito bem a qualidade dessa gua subterrnea.

    Portanto as medidas que podem ser tomadas vo na direo de restrio da demanda. Por exemplo, ao invs de oferecer somente o bnus que a Sabesp d a quem economiza, voc poderia estabelecer um limite de consumo que se entende razovel por casa, por nmero de pessoas que habitam uma casa. Assim, a partir do momento que esse limite de consumo fosse atingido haveria um aumento significativo na tarifa. Ou seja, se uma pessoa, ou casa, consumiu mais que um determinado limite razovel, ela poderia continuar a consumir, mas teria que pagar um preo muito alto por isso. Essa uma medida possvel, mas no muito aconselhvel do ponto de vista social e do ponto de vista poltico, mas me parece que uma possibilidade de reduzir consumo.

    Outra medida que pode ser adotada, e parece que a companhia de gua j est adotando, reduzir a presso na linha, nos dutos, de maneira que o consumo seja restringido durante a noite, mas sem que a tubulao fique vazia. Isso pode ser feito a noite, em horas de menor de consumo e leva a uma reduo no uso da agua e com isso aumenta a chance do sistema sobreviver at o final do ano.

    *Quais as consequncias da eventual utilizao do volume morto?

    No h consequncia nenhuma, a

    qualidade da gua do volume morto igual do

    volume vivo ou ativo. As notcias que

    circularam na mdia sobre a qualidade

    questionvel do volume morto so infundadas.

    *No contexto atual de mudanas

    climticas e aumento da demanda, devemos

    estar preparados para escassezes como

    essa nos prximos anos?

    Sim, sem dvida. Estamos hoje numa situao em que todas as grandes cidades brasileiras, e no s elas, mas tambm cidades de mdio porte, principalmente no nordeste, tem que estar preparadas para o futuro. Podemos observar que, em funo do crescimento populacional, h um aumentou da demanda de gua nos centros urbanos e tambm na agricultura. E esse aumento da demanda somada com uma variabilidade muito 10

  • grande do clima pode levar a situaes como essa cada vez mais frequentes.

    *E como podemos nos preparar para situaes como essa no futuro?

    Podemos, de um lado aumentar a confiabilidade da oferta, construindo reservatrios, barragens, adutores. Ao mesmo tempo em que temos que utilizar a gua mais eficientemente, fazendo reciclagem, reuso de agua e, com isso, diminuir o nvel de dependncia na oferta. A oferta cara, caro construir reservatrios, complicado, ento temos que trabalhar na demanda tambm.

    Temos que ficar atentos com a situao no futuro, pois uma situao como essa pode sim se repetir nos prximos 4 anos, at mesmo no prximo ano. No possvel fazermos previses hidrolgicas de longo prazo.

    *O senhor acredita que a alta dependncia brasileira de seus recursos hdricos um problema? A matriz energtica nacional deveria ser repensada?

    No, eu acho que o Brasil tem recursos hdricos abundantes que devem ser

    absolutamente utilizados, o uso da hidroeletricidade o que faz do Brasil um pas nico. Somos um pas nico no mundo onde as energias renovveis so responsveis por uma grande parte do consumo eltrico. Ento nossa matriz energtica no tem que ser repensada no, ela est absolutamente certa no sentido de utilizar nossos recursos hdricos.

    Essa situao da regio metropolitana de So Paulo no significa que todo o Brasil tambm esteja ficando seco. Na regio norte, por exemplo, o contrrio, est sobrando gua. Ento temos que gerar energia l e atravs da rede eltrica, fazer com que essa energia chegue a outras regies do pas includo a So Paulo. Ento imaginar que porque So Paulo est vivendo um perodo de seca a hidroeletricidade no uma boa opo absolutamente errado.

    O Brasil um pas que tem uma diversidade hidrolgica impressionante e deve explorar essa diversidade. Recentemente tivemos essa seca na regio sudeste, mas tivemos tambm enchentes importantssimas na regio norte e na regio sul, os rios dessas regies esto transbordando, a hidroeletricidade pode ser explorada em todo pas. No h nenhum problema em ter a hidroeletricidade como carro chefe de nossa matriz energtica.

    11

  • E agora, o que sero desses estdios? Veja o que sero dessas construes agora que a to famigerada Copa Brasil 2014

    chegou ao seu fim.

    Alguns reformados, outros construdos

    Maracan (Rio de Janeiro), Mineiro

    (Belo Horizonte), Castelo (Fortaleza), Arena

    da Baixada (Curitiba) e Beira-Rio (Porto Alegre)

    s tiveram que passar por algumas

    reforminhas, afinal o padro FIFA no para

    qualquer um. Mas no pense que por isso os

    custos das obras foram menores. Muitas vezes

    associamos a reforma com um custo menor que

    a construo de um novo, mas de acordo com

    a complexidade dela, os gastos podem ser

    muito maiores. O custo da reforma do Mineiro

    (695 milhes de reais), por exemplo, ultrapassa

    o valor da construo de 4 dos 7 novos

    estdios. Alm disso, burocracias e problemas

    estruturais parte, as reformas no Maracan

    superaram a durao de sua construo

    iniciada em 1948.

    J o Man Garrincha (Braslia), a Arena

    Pernambuco (Recife), a Arena Amaznia

    (Manaus), o Itaquero (So Paulo), a Arena

    Pantanal (Cuiab), o Fonte Nova (Salvador) e a

    Arena das Dunas (Natal) so os 7 novos

    estdios, alguns com um futuro mais incerto.

    Aspectos interessantes sobre as obras

    Iamento dos cabos do anel inferior ao mastro da nova cobertura do Maracan. Destaque para conexo dos

    cabos ao mastro.

    O Maracan ganhou uma nova cobertura

    em membrana de teflon e fibra de vidro com

    tecnologia autolimpante. Entretanto, ela no

    segue as recomendaes do COI (Comit

    Olmpico Internacional) e ter que passar por

    novas reformas at 2016. O rgo pede que a

    estrutura tenha capacidade de sustentar cerca

    de 120 toneladas de equipamentos de som, luz

    e fogos de artifcio. A cobertura que foi instalada

    sustenta at 81 toneladas.

    J a cobertura do Beira-Rio teve sua

    nova estrutura projetada em mdulos, o que

    permitiu uma construo rpida e em etapas,

    sem necessidade de interdio do estdio.

    A fachada do Man Garrincha

    composta por 288 pilares dispostos ao redor do

    edifcio, com conceito inspirado nas obras de

    Oscar Niemeyer. Enquanto a fachada da Arena

    da Amaznia inspirada no cesto de palha

    indgena.

    Estdio Man Garrincha em construo (janeiro de 2013)

    Fachada em pilares j pronta.

    No Mineiro, o campo foi rebaixado para

    aumento da visibilidade e devido a inmeras

    prticas como aproveitamento de luz solar, o

    primeiro e nico estdio do Brasil a conquistar

    a categoria mxima na certificao Leadership

    in Energy and Environmental Design (LEED).

    12

  • O futuro de cada um

    Maracan: Com o Engenho em obras, o

    estdio receber jogos do Fluminense,

    Flamengo e Botafogo. Seguir tambm

    recebendo grandes shows. Para quem curte, a

    banda Foo Fighters est negociando um show

    l para o ano que vem. Ser palco da abertura

    e encerramento das olimpadas 2016.

    Mineiro: Continuar recebendo todos os

    jogos do Cruzeiro e, assim como o Maracan,

    grandes shows.

    Beira- Rio e Arena da Baixada: Pertencentes

    ao Internacional e ao Atltico-PR

    respectivamente, sero utilizados nos jogos

    destes clubes. Na Arena da Baixada, as

    receitas de bilheteria sero decisivas para o

    clube conseguir pagar os emprstimos feitos

    para a obra.

    Castelo: Receber, por contrato, partidas do

    Cear e do Fortaleza, os dois maiores clubes

    do estado, nos prximos cinco anos.

    Man Garrincha: o mais caro da Copa (2

    bilhes de reais). No h grandes clubes em

    Braslia e at o fim de 2014 no h nenhum jogo

    previsto para esse estdio, ou seja, se nada for

    feito, possui grandes chances de virar um

    elefante branco.

    Itaquero: Como todos sabem, de mando do

    Corinthians. Um casamento com 62 casais j foi

    realizado em Julho. Muito provavelmente no

    ser utilizado para shows, pois seu gramado,

    com sistema sofisticado, no foi projetado para

    tal. Nos ltimos jogos a mdia do ingressos foi

    de R$60 por torcedor (contra R$15 do So

    Paulo). Apesar das crticas, a diretoria acredita

    que essa uma boa poltica para aumentar a

    renda do clube. Alm disso, com dez andares,

    o prdio oeste tem 59 lojas, entre lanchonetes

    e outras convenincias.

    Arena Pernambuco e Arena das Dunas: A

    primeira a nova casa do Nutico. A segunda

    ser utilizada pelo Amrica-RN. A idia utiliz-

    las para shows e grandes eventos como

    feiras e conferncias.

    Arena Amaznia e Arena Pantanal: No h

    clubes no Amazonas que levariam grandes

    pblicos para suas arquibancadas. O governo

    do estado do Amazonas ainda no definiu o que

    far com ela no futuro. Enquanto isso, os custos

    com sua manuteno chegaro a 500 mil por

    ms. Na Arena Pantanal, a situao parecida

    e cogita-se at receber jogos de futebol

    americano.

    Arena Amaznia

    Arena Fonte Nova: O Clube Bahia o que

    mais a utilizar. Assim como as outras, alm de

    shows prev at competies de esportes

    radicais indoor.

    Em resumo, ou os clubes dos

    respectivos Estados utilizaro tais estdios, ou

    ento haja shows, eventos culturais, jogos de

    futebol americano e esportes radicais indoor

    para que pelo menos os financiamentos obtidos

    para tais obras sejam quitados. Isso sem contar

    com os custos de manuteno.

    Quer saber mais sobre os estdios

    construdos, reformados e sobre as

    inmeras outras obras feitas para a Copa

    2014? Acesse o portal de transparncia do

    Governo Federal (www.transparencia.gov.

    br/copa2014), l voc encontrar os

    cronogramas fsico-financeiros, os

    relatrios fotogrficos e muitas outras

    informaes!

    Brbara Paes

    3 ano - Engenharia Civil

    13

  • Depoimento: Duplo Diploma na Frana

    Foram trs anos de duplo diploma em

    Paris, na cole Nationale des Ponts et

    Chausses. Parece muito aos 21 anos. Mas na

    verdade, s parece.

    No tenho como afirmar que foi a melhor

    coisa que fiz porque no sei o que teria

    acontecido se eu no tivesse ido. Talvez tivesse

    me formado em 5 anos na Poli e hoje j fosse

    gerente de projetos em alguma empresa

    grande que pagasse muito bem. No sei qual

    foi meu custo de oportunidade. Mas sei que,

    com certeza, eu no seria eu se nada disso

    tivesse acontecido.

    Sempre quis estudar em outro pas,

    desde pequena. Talvez pela influncia dos

    filmes americanos que passavam na sesso da

    tarde da TV aberta. Mas, infelizmente, meus

    pais nunca puderam pagar um intercmbio.

    Sempre encarei o dinheiro como o maior dos

    obstculos para atingir meus objetivos. At

    entrar na Poli.

    Muitos politcnicos no gostam da Poli,

    de seus mtodos e seus carrascos. Eu no

    posso dizer o mesmo. A Poli abre muitas portas

    para aqueles que as procuram. No me refiro

    s ao to quisto e suado diploma de engenheiro

    que todos, ou quase todos, conseguem no final.

    A Poli oferece muitas oportunidades para que

    os alunos evoluam alm do esperado, cada um

    a sua maneira. E a oportunidade que agarrei

    com unhas e dentes foi a de realizar um duplo

    diploma.

    Parti para a Frana sentindo receio do

    novo, mas cheia de adrenalina para aproveitar

    ao mximo essa oportunidade nica que tive.

    Ainda hoje, s vezes, no acredito que

    aconteceu comigo.

    Logo que cheguei, fiz o intensivo de

    francs que a escola paga aos alunos

    estrangeiros. Para se ter uma noo do meu

    nvel de francs na poca, eu me deparei com

    13 chineses numa sala para 14 pessoas!

    Tive muita dificuldade com a lngua no

    comeo, a fontica praticamente impossvel

    de ser pronunciada impecavelmente e os

    franceses so muito exigentes. Eles faziam

    caretas diversas enquanto eu falava, parecia

    que realmente faziam esforo pra me entender.

    Mas em 6 meses eu me acostumei e no ligava

    mais para as caretas! E, lgico, meu nvel de

    francs evoluiu muito com o tempo. Ao final do

    primeiro ano, eu j conseguia ganhar as

    discusses com meu namorado francfono da

    poca. Foi a que eu aprendi: voc s sabe se

    fluente numa lngua quando consegue discutir

    com algum estando sbrio!

    Alm da lngua, tive outras dificuldades.

    O nvel de matemtica e fsica dos europeus e

    dos orientais elevadssimo, por exemplo. Os

    professores partiam do pressuposto que todo

    mundo tinha o mesmo nvel de conhecimento

    nestas cincias. S que no. Precisei estudar

    muito para conseguir acompanhar o ritmo de

    algumas matrias.

    Fora a complexidade de alguns cursos, o

    sistema francs muito bom pra quem

    ingressou num curso de engenharia sem ter

    muita certeza do que queria realmente. A

    porcentagem de matrias optativas muito

    maior e sem muitas restries (fiz curso de

    design industrial e tenho amigos que fizeram

    curso de tica). to mais personalizado que o

    diploma um s para todas as engenharias,

    samos de l todos com um Diplme

    dIngnieur, a nica diferenciao est num

    anexo, o qual explicita as matrias que cada

    um fez e as competncias que (supostamente)

    adquiriu assim.

    Mudar um pouco do sistema politcnico,

    aprender coisas novas e at mesmo reaprender

    o que eu pensava que j sabia foi o que eu

    ganhei academicamente com o intercmbio.

    Mas quero deixar claro que isso no representa

    nem 10% da bagagem que acumulei naqueles

    3 anos.

    14

  • A vida no exterior solitria e ao mesmo

    tempo no . A cole des Ponts recebe mais de

    70 estrangeiros por ano. Todos longe de suas

    famlias e, para muitos, era a primeira

    experincia de sair de debaixo das asas

    quentinhas e seguras de nossos pais.

    Como estvamos na mesma situao,

    ns nos aproximamos mais facilmente uns dos

    outros e acabamos, assim, fazendo amizade

    com pessoas completamente diferentes de ns

    mesmos. E aprendemos muito com elas.

    Conheci uma

    iraniana que usou

    vu a vida inteira e

    precisou da

    autorizao de seu

    pai para sair de seu

    pas. Fiz amizade

    com um garoto do

    Burkina Fasso que

    estava h 6 anos

    sem ver sua famlia

    porque no tinha

    dinheiro, mas como

    o diploma era a

    esperana de um

    futuro melhor para

    eles, no queria

    sacrificar seus

    estudos por mera

    saudade. Pessoas

    com culturas e

    realidades to

    distintas, cada uma

    com algo de

    especial e precioso

    para dividir. Fiz

    amigos para a vida

    toda.

    No conheci s pessoas maravilhosas,

    no. Tambm conheci pessoas difceis,

    mimadas, preconceituosas, tipos que

    acreditavam que sua cultura e religio eram

    melhores que as minhas. Discuti e fui

    subestimada por ser mulher, fui maltratada por

    ser morena e fui ignorada por ser estrangeira. A

    vida no foi fcil.

    Todos os sentimentos eram

    intensificados flor da pele. Todo caso era

    paixo e toda amizade era pra sempre. Mas

    assim como todo momento de alegria era o

    mais feliz de nossas vidas at ento, toda

    tristeza era um drama para se chorar em

    conjunto! Talvez, por no ter sido simples e por

    ter sido to intenso, que foi to bom.

    Cresci e passei a ver minha vida, as

    pessoas ao meu redor e eu mesma de uma

    forma diferente. Percebi que o cu parece

    pequeno para quem est dentro de um poo,

    mas imenso para

    aquele que decide

    sair.

    Hoje em dia,

    todo mundo faz um

    intercmbio de x

    semanas numa

    estao de ski ou

    numa cadeia

    americana de

    restaurantes. E

    muitas empresas

    (pelo menos o RH

    delas) encaram

    essas experincias

    da mesma forma

    que encaram a

    minha. Essa a

    dura realidade. Mas

    o que eu carrego

    comigo muito

    maior; e quem

    entende o

    significado de fazer

    faculdade e

    estagiar no exterior

    sabe a diferena e a valoriza.

    Por tudo isso que compartilhei aqui, e por

    muito mais, que dou este conselho: se voc

    puder, saia da sua zona de conforto e v

    descobrir o mundo! Aproveite o que a Poli

    oferece! D o melhor de si para que voc

    efetivamente se torne o melhor que pode ser.

    Nem o cu o limite!

    Luana Conceio de Oliveira

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  • Decomposio de uma alma

    Corpo que quer ver humanos, que quer ver a rua,

    Que quer ouvir uma conversa de um casal na esquina,

    Que quer ver um homem fumar um cigarro,

    Que quer ver nada, a escurido.

    Corpo que quer escutar uma msica, no pensar em nada,

    Que quer sentir um beijo nos lbios, mas no corresponde,

    Que sente os braos entrando em decomposio,

    Corpo que mente, se mete e no se sente.

    Trax cheio, peito seco, nunca mais chorou,

    Pois o corpo cansado, preguioso, sem emoo.

    Mos imveis, mortas, presas a um cadver ainda vivo,

    Vivo na flor da idade, morto pela sociedade.

    Olhos que querem ver a vida, pra no pensar na sua,

    Ps que querem andar, mas no tm fora,

    Mente tenta pensar, mas s vem amargura,

    Corpo que quer levantar, mas faleceu.

    Renata Stabenow Jorge

    3 ano - Engenharia Civil

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